O filme que bagunça a cabeça
Leonard não consegue formar novas memórias. Pra tentar descobrir quem matou sua esposa, ele enche o corpo de tatuagens e carrega polaroides com anotações. O truque de Nolan é contar essa história de duas formas ao mesmo tempo: cenas em preto-e-branco que seguem a ordem normal, e cenas em cor que vão de trás pra frente. Quando as linhas se encontram, a gente entende que a maior parte da investigação de Leonard é também um jogo de autoengano. O espectador sente a mesma desorientação que ele.
De ideia de estrada a sucesso cult
Tudo começou com uma conversa entre Christopher e Jonathan Nolan durante uma viagem de carro. Jonathan escreveria depois o conto “Memento Mori”, mas o irmão correu pra transformar a ideia em roteiro. O filme custou algo entre 5 e 9 milhões de dólares e arrecadou mais de 40 milhões. Não é pouco para um thriller independente que estreou em poucas salas e cresceu pelo boca a boca.
“Memento” rendeu indicações ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem, e em 2017 entrou para o National Film Registry, que preserva obras de importância cultural e histórica. Nada mal pra um longa que poderia ter ficado restrito a circuito alternativo.
Curiosidades que valem a revisão
- Dois trilhos: a edição especial em DVD traz um modo “cronológico” escondido como easter egg. Assistir assim mostra de forma clara a escolha de Leonard em acreditar na própria mentira.
- Quase foi Brad Pitt: o papel de Leonard rodou entre vários atores. Guy Pearce foi escolhido justamente por não carregar “fama demais” e dar mais credibilidade ao personagem.
- Trilha dividida: a música muda conforme a linha temporal — mais “clássica” nas cores, mais “ruidosa” no preto-e-branco.
- Ciência aprovou: especialistas em memória já apontaram “Memento” como uma das representações mais fiéis da amnésia anterógrada no cinema.
Christopher Nolan antes do IMAX
“Memento” mostrou ao mundo uma das maiores obsessões de Nolan: brincar com a percepção do tempo. Essa ideia voltou em quase todos os seus filmes, de “A Origem” a “Oppenheimer”. Mesmo quando ganhou orçamento de blockbuster, Nolan nunca deixou de buscar efeitos práticos e um tipo de realismo físico na tela. “Memento” é a semente de tudo isso.
Abaixo, uma entrevista com Christopher Nolan e a ideia do filme explicada pelo diretor.
Pra depois
- Tente ver a versão cronológica, não como a “certa”, mas como um jeito de desmontar o quebra-cabeça.
- Compare o filme com o conto “Memento Mori”, de Jonathan Nolan. As diferenças ajudam a entender como Chris encontrou no cinema uma forma única de falar sobre memória e engano.
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